De acordo com a velocidade e o grau de reunião (contenção das rédeas), os andamentos naturais básicos do equino podem apresentar diversas sub-variedades.

PASSO
1) Passo livre, ou relaxado - Ocorre quando as rédeas são completamente aliviadas, em conjunto com o alívio da pressão de pernas e do assento. O cavaleiro permite uma completa liberdade para sua montaria, de modo que a cabeça e o pescoço deslocam-se no ritmo lento e cadenciado do passo, e permanecem mais ou menos em um plano horizontal, porém através de um balanço contínuo, para cima e para baixo, e também ligeiramente para os lados, em harmonia integrada com os movimentos suaves dos membros. Psicologicamente, é preciso que o animal esteja preparado para executar esta modalidade de passo. Qualquer sinal de excitação resultará em movimentos mais tensos dos membros, e uma certa rigidez nos deslocamentos de cabeça e pescoço, além da necessidade do cavaleiro controlar a velocidade do passo através do contato das rédeas com a 
embocadura.

2) Passo alongado - É observado quando o cavalo aumenta o comprimento de suas passadas sem, no entanto, perder a regularidade. O rendimento do passo é nitidamente aumentado, sendo que os cascos posteriores apoiam-se bem à frente das marcas deixadas pelos cascos anteriores (ultra-pegada). O cavaleiro permite que sua montaria estenda cabeça e pescoço ao máximo. Entretanto, o cavaleiro jamais perde o contato com a embocadura, como ocorre ao passo livre. No passo alongado, os deslocamentos sucedem-se com uma boa dose de energia.

3) Passo médio - Tem extensão moderada, através de um suave e contínuo contato com a boca do animal. Os movimentos são calmos, mas sem perder a energia, através de passadas sincronizadas, produzindo as quatro batidas igualmente espaçadas, com os cascos posteriores tocando o solo à frente dos rastros deixados pelos cascos anteriores - ultra-pegada. A diferença para o passo livre é que o cavaleiro mantém uma suave tensão de rédeas e, consequentemente, uma discreta interferência que impede a total liberdade de movimentos da cabeça e do pescoço.

4) Passo reunido - Os movimentos são nitidamente enérgicos, derivados de um forte engajamento de membros posteriores, como resultado de uma maior flexão das articulações de jarretes. A marcha do passo é vigorosa, mas as passadas cobrem menos terreno, e são mais alçadas. Os cascos posteriores tocam o solo atrás dos rastros deixados pelos cascos anteriores (retro-pegada). A posição da cabeça aproxima-se da linha vertical, com o pescoço erguido e flexionado. O contato de rédeas com a embocadura é mais intenso, e contínuo, bem como o comando de pernas, estimulando a impulsão. A precisão do passo reunido resulta de uma ação alternada dos comandos aplicados pelas pernas do cavaleiro, coincidindo com as fases de apoio de cada um dos cascos posteriores.

TROTE
1) Trote médio - Os movimentos são livres, com flexionamento e elasticidade médias. Através de comandos suaves de rédeas, o cavalo engaja seus posteriores com uma boa ação dos jarretes. As passadas são uniformes. Os cascos posteriores tocam o solo sobre os rastros deixados pelos cascos posteriores (sobre - pegada). 

2) Trote alongado - O cavalo cobre o máximo possível de terreno. Alonga suas passadas, recebendo um leve contato de rédeas. O pescoço estende-se, e como resultado do aumento da força de impulsão derivada dos membros posteriores, o animal trabalha com energia suas espáduas, aumentando o comprimento da passada sem elevação excessiva dos membros. Um bom exemplo desta modalidade é o trote de corrida, característico da raça americana " Standardbred" (Trotador Americano).

3) Trote reunido - Os deslocamentos são mais curtos, porém não é necessariamente um trote lento. Pode ser rápido, dependendo da vontade do cavaleiro. O cavalo mantém cabeça mais elevada, porém bastante 
flexionada, e os membros posteriores mais sob o corpo. Com a elevação do pescoço, as espáduas trabalham com mais liberdade em todas as direções. A ação mais pronunciada das espáduas também é favorecida pela maior energia na força de impulsão.

4) Trote de trabalho - Situa-se entre o trote médio e o trote reunido. O animal ainda não está treinado para executar deslocamentos no seu grau máximo de reunião. No trote de trabalho, os deslocamentos são elásticos, igualmente espaçados e movidos por uma boa ação de jarretes. Uma variação do trote de trabalho é aquele usualmente executado pelos campeiros na inspeção de rebanhos bovinos. A velocidade é bastante lenta, com deslocamentos mais rasteiros, semelhantes ao trote de cão, reduzindo o nível de flexionamento dos membros e elasticidade dos deslocamentos.

GALOPE
1) Galope médio - O cavalo permanece perfeitamente retilíneo, da cabeça à cauda, movendo-se com liberdade de deslocamentos, sendo as passadas longas, uniformes e cadenciadas. A força da impulsão é moderada. O 
galope médio situa-se entre o galope reunido e o galope alongado.

2) Galope reunido - Os membros posteriores são muito ativos, particularmente na ação dos jarretes. As espáduas estão livres nos seus movimentos. Toda a mobilidade do cavalo é aumentada, com grande impulsão, porém travada pela maior tensão de rédeas. A imagem é de um movimento belo, suave, mas com bastante energia, deslocamentos mais alçados e mais curtos.

3) Galope de trabalho - Situa-se entre o galope médio e o reunido. É comum nos cavalos Crioulos e Quarto de Milha. É um galope de baixa velocidade, com deslocamentos mais rasteiros e pouca tensão de rédeas, servindo para relaxar a montaria, ou como uma boa alternativa de andamento mais suave em relação ao trote, podendo ser mantido por um bom tempo sem que o animal perca sua resistência, ou entre em estados críticos de fadiga muscular.

4) Galope alongado - O cavalo estende seu pescoço, com a cabeça aproximando-se da horizontal. As passadas são mais longas, mas o animal permanece calmo, através de um certo controle da velocidade do galope pela ação das rédeas.

5) Galope de corrida - A extensão do pescoço atinge seu ponto máximo, com a cabeça perfeitamente na horizontal, "apontando o focinho". Cabeça e pescoço também assumem uma posição mais baixa. Como conseqüência, há uma sobrecarga de peso sobre membros anteriores, alterando a distribuição de peso e o centro de gravidade, provocando a dissociação do bípede diagonal que estava associado. O andamento passa a ser executado em quatro tempos. 


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