Passado, Presente e futuro da raça pampa

 


O "boom" da criação de cavalos de raça no Brasil aconteceu na década de 70, coincidindo com o desenvolvimento mais acelerado do país, a partir da década de 60, após a implantação da nova capital no Distrito Federal. A raça nacional de maior crescimento sempre foi a Mangalarga Marchador, seguida pela Campolina, Mangalarga, e Piquira. Ao contrário, a expansão de outras raças nacionais permaneceu limitada às fronteiras de suas respectivas origens. Foram os casos do cavalo Crioulo (Rio Grande do Sul), Pantaneiro (Mato Grosso), Marajoara (Ilha de Marajó e Pará), Campeiro (Santa Catarina) e Nordestino (Pernambuco). Destas raças, apenas as de cavalos Crioulo e Nordestino experimentaram um crescimento maior, ainda que limitado à respectiva região de localização.


Em todas as raças nacionais os animais de pelagem pampa sempre foram discriminados nas pistas de julgamento, apesar da maioria dos Padrões Raciais aceitarem este tipo de pelagem. Todavia, os animais pampas sempre foram muito valorizados, porque eram os da preferência dos visitantes nas fazendas de criação de cavalos de raça. A beleza da estampa encantava a todos, crianças e adultos, desenvolvendo um mercado paralelo ao comércio de animais para a reprodução e exposições.


Alguns poucos criadores de visão futurista mantiveram em seus plantéis reprodutores e matrizes portadores da bela e exótica pelagem pampa, a qual, pela sua dominância genética, forçou a preservação de uma população numericamente significativa, porém de padrão zootécnico inferior, pela deficiência de uma seleção voltada para a produção de animais competitivos nas exposições, e nas diversas modalidades de atividades esportivas. Para os selecionadores da elite, que participam ativamente das exposições, o cavalo pampa era encarado como um refugo, um mero animal de descarte. Muitos, apesar de não gostarem da pelagem, eram forçados a aceitá-la no plantel, porque havia uma demanda sólida, além do fato destes animais serem os preferenciais das esposas e dos filhos, quando crianças.


No início da década de 90 foi fundada a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pampa, com sede na capital mineira, abrindo uma nova perspectiva de consolidação e expansão nacional do mercado pampa, além de funcionar como ferramenta imprescindível ao melhoramento do cavalo pampa nacional, através do serviço do Registro Genealógico, os julgamentos, as pesquisas. As primeiras exposições nacionais da nova raça em formação no Brasil contavam com uma média de 40 a 60 animais. Mas já no ano 2000, foram a julgamento na VII ENAPAMPA 100 animais e em 2001, mais do dobro deste numero. É uma prova incontestável da expansão do mercado e da valorização do cavalo pampa brasileiro de sela.


O mercado futuro é altamente promissor, pois a base genética da formação do cavalo pampa brasileiro de sela é única no mundo e, certamente, propiciará o desenvolvimento de um animal portador do diferencial da beleza da pelagem aliado ao lazer e à funcionalidade. O próprio sistema de julgamento do cavalo pampa, funciona como uma sólida alavanca do crescimento de mercado, pois abre um leque de alternativas do surgimento de um grande numero de campeões, visto que a distribuição das categorias de julgamento baseia-se nas modalidades de andamento, que são cinco, como será abordado em um capítulo à parte nessa obra.


Um outro fator relevante para o mercado futuro é a perspectiva de exportação, pois outras raças de cavalos pampa somente existem nos Estados Unidos, onde experimentam um crescimento significativo. O fato é que um exemplar pampa, seja para o lazer ou para esporte, tem aceitação garantida em qualquer país. Não é sem razão que além dos cavalos de pelagem pampa terem feito sucesso na época do Faroeste, segundo uma lenda antiga, também foram os "cavalos dos deuses".



 

 


Voltar