O julgamento da marcha de animais apresentados ao cabresto baseia-se nos mesmos parâmetros avaliados nos animais montados, ou seja, a comodidade, que tem peso de 40%, o estilo, regularidade e desenvolvimento, com peso de 20% cada quesito. A diferença é que ao cabresto o animal tende a apresentar uma menor dissociação nos deslocamentos, pois não ocorrem os efeitos dos comandos principais e auxiliares da equitação: rédeas, assento, pernas, tala (ou rebenque), esporas. Os animais não são reunidos, marcham mais soltos. A tendência é que apresentem a modalidade de marcha batida. Ressalte-se que o regulamento exige a apresentação obedecendo uma nítida folga no cabo do cabresto, valorizando-se a naturalidade da marcha.A principal preocupação do árbitro será em relação aos andamentos excessivamente diagonalizados, com pouca definição dos tríplice apoios. Caso a elevação seja excessiva, o animal será severamente penalizado, até mesmo com a desclassificação, quando for caracterizada a perda de contato com o solo, o que insere o animal no andamento trotado. Outros problemas comuns são o desequilíbrio dinâmico, provocado pela deficiência de impulsão e as irregularidades da marcha. 

     A suavidade dos apoios é apenas uma referência de uma boa comodidade futura quando o animal for montado, mas não é garantia definitiva. Quanto mais dissociados forem os deslocamentos, mais natural será a marcha, melhor definidos serão os apoios tripedais e, consequentemente, a suavidade dos apoios. Quando o andamento é muito lateralizado, haverá uma perda de regularidade e desequilíbrio do eixo corpóreo. Ao contrário, quando o andamento é muito diagonalizado, haverá perda na suavidade dos apoios, ocorrendo abalos verticais sobre o eixo corpóreo.

     O treinamento de animais jovens deve ser conduzido em uma rotina diária, envolvendo trabalho inicial de guia no redondel, visando um melhor flexionamento, elasticidade dos deslocamentos, impulsão mais vigorosa, e uma melhor cadência nas diferentes velocidades da marcha. Em seguida, no plano, na estrada ou pista de treinamento, os animais devem ser puxados em linha reta e na figura de um triângulo, como é exigido nas exposições. Se o deslocamento estiver excessivamente diagonalizado, o treinador deve segurar o cabo curto, pressionando os três pontos de controle - queixo, chanfro (ação da focinheira) e nuca (ação da parte superior da cabeçada). Com a outra mão comandar com o chicote visando um aumento de velocidade da marcha, e reunir o animal com a mão que segura o cabresto. Esta ação integrada exerce o efeito de provocar o atraso no deslocamento de um membro anterior em relação ao deslocamento do membro posterior diagonal. Em casos extremos, animais muito ásperos devem ser ferrados dos posteriores, ou trabalhados com pulseiras fixas nas quartelas, com proteção de couro, para se evitar ferimentos. Ao contrário, animais de andadura devem ser ferrados dos anteriores. Em ambos os casos, a finalidade será provocar mais rapidamente a dissociação entre os apoios diagonais (caso do trote, ou marcha batida muito áspera) ou laterais (caso da andadura). Em outras situações, o deslocamento de membros anteriores é muito rasteiro. Será necessário trabalhar com peso extra nos cascos anteriores, para forçar a elevação dos deslocamentos, ou tentar a correção através de exercícios de salto e seções de galope reunido.

     Um cuidado especial no treinamento de animais jovens é o de buscar um posicionamento correto da cabeça, em termos de direção retilínea, alinhada com o pescoço, altura, flexionamento e estabilidade. Um mal posicionamento da cabeça afeta negativamente a qualidade de movimentacão dos membros anteriores e, consequentemente, o equilíbrio, harmonia e coordenação dos deslocamentos. Para uma boa apresentação na pista, é preciso que haja uma perfeita integração do animal com seu treinador/apresentador, com base na obediência e confiança.


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