O adestramento, também chamado comumente de doma ou amansação, é a base para a formação de exímios marchadores. Mas para que o adestramento gere resultados positivos, é necessário que o animal seja possuidor de genes desejáveis para o bom desempenho da marcha, em termos do diagrama (boa definição dos momentos de tríplice apoios), comodidade, estilo, desenvolvimento, regularidade. Raramente, um animal que aprende a marchar será um bom marchador.

O adestramento é dividido nas fases de doma de cabresto, doma de baixo, doma de sela e adestramento avançado. A doma de cabresto tem início por volta dos 5 meses de idade, entre 15 a 30 dias antes da apartação. A idéia é ensinar o cabresteamento com um mínimo de estresse mental possível. Partindo deste princípio, o método consiste em conduzir o potrinho (a) ao lado de sua mãe.      A partir da segunda semana em diante, o animal poderá ser puxado sozinho, em andamentos de velocidade lenta - passo e marcha lenta. Nesta primeira fase as lições visam somente ensinar o potrinho (a) a caminhar respondendo ao comando de puxar o cabo de cabresto. Após a apartação, a doma de cabresto continua no redondel, ensinando-se o animal a virar à direita e à esquerda ao passo e marchando. Finalizada esta fase inicial da doma, os animais serão introduzidos no programa de condicionamento físico.

     A partir dos 24 meses de idade, terá início o charreteamento, ou doma de baixo, que consiste na condução do animal com guias longas, que passam pelas argolas laterais de uma cilha, prendendo-se nos olhais laterais de uma cabeçada com focinheira. Gradativamente, com muita paciência, sem violência e utilizando comandos vocais curtos (fasta, ôôha, vira, vai, etc.), as lições serão transmitidas, ensinando o potro (a) a caminhar em linha reta, marchar nas diferentes velocidades (marcha reunida, média e alongada), virar à esquerda e à direita, parar e, finalmente, a recuar, com a cabeça corretamente flexionada. É um erro ensinar o recuo no início da doma, pois é um movimento que exige um máximo flexionamento da musculatura da nuca, do pescoço, tronco e membros posteriores. Da segunda semana em diante, pode ser introduzida a cabeçada com bridão, sendo as rédeas fixas nos olhais do bridão. Mas atenção, é necessário um período de três dias para que o animal acostume-se com o bridão na . Na baia, com a cabeçada e o bridão, comerá o capim e a ração. No segundo mês em diante, a cilha será substituída pela sela. As guias passarão pelos loros do estribo. Decorridos dois meses de charreteamento, em lições diárias, com duração de 10 minutos, o animal estará pronto para ser iniciado na próxima fase, a doma de sela.O animal que passa pelo charreteamento responde mais facilmente aos primeiros comandos de rédeas do cavaleiro, pois já estará acostumado com o bridão na boca e terá aprendido a ceder a cabeça, nuca e pescoço, nos movimentos básicos de virar para ambos os lados, parar e recuar. O trabalho do domador será concentrado em aprimorar todos estes movimentos ensinados de baixo, mantendo uma marcha regular, bem cadenciada. Para melhorar as respostas aos comandos de rédeas, devem ser executados exercícios variados, em círculos, serpentinas em balizas a 6m de distâncias, figuras de oito.

     Na próxima fase, do adestramento avançado, o animal será treinado para os Concursos de Marcha em pista apropriada (evitar pistas de areia) e estradas regulares. Será necessário o ajuste do posicionamento correto da cabeça, o alongamento do alcance dos deslocamentos, a busca por uma melhor eficiência na dinâmica de movimentação, em termos da elevação desejável, dos deslocamentos mais retilineos, e de uma melhor impulsão e estabilidade da garupa. Todos os andamentos devem ser trabalhados - passo, marcha, galope -, e suas transições, com uma recomendação importante, a de não treinar a transição da marcha para o galope, pois o animal poderá perder a regularidade da marcha, iniciando um galope falso de mãos ou pés. Outros exercícios recomendados, com a finalidade de aprimorar ainda mais o flexionamento, elasticidade dos deslocamentos e a impulsão são as figuras circulares, gradativamente mais fechadas, as figuras de serpentina, de oito, seções de galope lento e galope alongado, saltos sobre tambores deitados. Todo o trabalho deve ser gradual, aumentando-se a intensidade a cada semana, para que o animal possa suportar com folga uma prova de 40 minutos de marcha


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