Lúcio Sérgio de Andrade | Zootecnista - CRMV 11-136/Z

     Logo após a doma de sela tem inicio o treinamento específico para competições. Durante o processo da doma o animal aprende a responder corretamente aos comandos básicos da equitação: rédeas, pernas e assento. Deve virar prontamente à direita, à esquerda, esbarrar e recua; deve responder prontamente à pressão de pernas e eventuais toques de calcanhar; e deve responder aos deslocamentos de peso do cavaleiro, seja para os lados, para a frente ou para trás. Contudo, estas respostas somente acontecerão com precisão após um período de trabalho paralelo visando desenvolver o flexionamento da nuca, do pescoço e da musculatura do tronco.

     A embocadura inicial utilizada na doma de sela é o bridão, de ação branda. Para o treinamento específico de competições, pode ser efetuada a transição para um bridão de ação moderada, caso seja necessário. A transição mais delicada é para o freio convencional, sendo recomendado o de ação leve para, em seguida, o de ação moderada. Os freios severos raramente são necessários para cavalos de marcha. Para uma transição mais amena pode ser utilizado o freio - bridão, que tem o bocal "partido" de um bridão, as hastes de um freio e também a barbela, que pressiona no queixo e produz uma pressão extra nesta região sensível, à exemplo do que ocorre com o uso do freio convencional.

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Bridão D'agulha (com hastes), ideal para cavalos de marcha, sendo o primeiro, de baixo para cima um tipo freio-bridão, com argola para barbela e rédea dupla

     Modo de ação - Basicamente, o modo de ação do bridão difere daquele do freio convencional, porque não há o efeito alavanca. A pressão principal é a do bocal sobre as barras, comissuras labiais e língua. Como o bocal é articulado, a ação torna-se mais branda, daí ser uma embocadura indicada para o Home da doma de sela. Quando as rédeas são acionadas, as argolas (ou olhais, dependendo do modelo) deslocam-se no sentido do movimento da montaria (esquerda, direita ou par trás), pressionando o bocado nos pontos de controle. A língua sofrerá uma pressão considerável se os olhais da articulação central do bocal forem grandes, duplos, ou se o próprio bocal é fino.

     A ação do bridão é mais no sentido de forçar o cavalo a manter sua cabeça em uma posição mais alta, ao contrário da ação do freio convencional, que força um posicionamento mais baixo da cabeça, transferindo pressão sobre a nuca. Em um bridão de modelo básico não se usa barbela, pois esse efeito afeta a ação lateral articulada do bridão sobre as barras e comissuras labiais. O peso do bridão também tem relação com seu modo de ação. Nos modelos de bocal oco, o peso é menor, em torno de 300 gramas, porém é um bridão de pouca durabilidade, como já foi dito. Já o ferro maciço aumenta o peso para mais de 400 gramas, enquanto os de aço inoxidável têm peso em torno de 350 gramas.

     Grau de severidade - Quanto mais grosso o bocal, mais branda será a ação, e vice-versa. Como medidas de referência, bocais de espessura superior a 1,5 cm exercem uma ação mais branda; entre 1,0 e 1,5 cm, uma ação moderadamente severa e abaixo de 1,0, uma ação severa. Para cavalos de marcha não são recomendados de ação severa, sendo que o modelo ideal de bridão é aquele de olhais em forma de D, com hastes, chamado de bridão "D agulha". Nesse modelo, o olhal não entra na boca, principalmente durante a fase inicial da doma de sela, além das hastes servirem de apoio nas laterais do chanfro e do mento, aumentando a pressão sobre os pontos de controle do bridão - barras, comissuras labiais e língua. Uma outra vantagem desse tipo de bridão é que dispensa o uso de borrachas protetoras.

     Mesmo com essa recomendação do tipo ideal de bridão para uso em cavalos de marcha, lembre-se que existem variações de sensibilidade entre indivíduos, além das diferentes atividades eqüestres. Assim, um bridão mais severo é indicado para atividades que forçam movimentos mais reunidos e para cavalos de boca menos sensível. São freqüentes os casos de cavalos que adquirem calosidades nos pontos de controle da embocadura, devido ao uso da violência, ou mesmo de uma embocadura incorreta. Já um bridão mais brando, é recomendado para cavalos de boca sensível.

     O freio convencional é constituído por duas hastes (ou pernas) laterais, o bocal inteiriço, geralmente em curva e a barbela (corrente), que se prende às duas hastes. A curvatura é denominada de lingueta ou passador de língua, variando de altura e na forma, que pode ser: em meia - lua invertida, V ou U, também invertido. O posicionamento correto do bocal na boca é sempre sobre a língua, caso contrário provocará incômodo persistente e ferimentos. Cada uma das hastes liga-se às faceiras da cabeçada, através de uma argola fixa em sua parte superior, denominada de olhal, onde também se prende a barbela, através de um pequeno gancho. E na parte inferior, cada uma das hastes tem uma argola móvel, por onde se ligam as rédeas.

     O modo de ação do freio convencional é de fácil compreensão. As hastes funcionam como duas alavancas, cujos pontos de apoio são as suas junções com o bocal. As hastes são acionadas pelas rédeas, que forçam o bocal sobre o palato (céu da boca). Simultaneamente, a barbela pressiona o mento, travando o bocal no palato. O cavalo também sente o contato das laterais do bocal nas comissuras labiais e sobre as barras em ambos os lados da boca. As barras são áreas ausentes de dentes, revestidas apenas de mucosa, situando-se entre os dentes molares e os dentes incisivos. A rigidez das barras varia entre raças e indivíduos.

     Em sínteses, o freio convencional atua direta ou indiretamente sobre 6 (seis) pontos de controle da locomoção do eqüino. Diretamente, como foi abordado, atua sobre os lábios, as barras, o palato e o mento. Indiretamente, atua sobre a nuca (com o auxilio da cabeçada) e sobre o chanfro (com o auxílio da focinheira).

De acordo com o seu modo de ação, um freio convencional pode ser classificado de:

    1 - brando
    2 - Moderadamente severo
    3 - Severo

     No primeiro caso, quando o bocado tem espessura acima de 1,5 cm, sendo o bocal baixo (máximo de 2 cm de altura) e em forma de meia-lua invertida ou, no máximo, da letra U invertida. As hastes devem ser curtas e inclinadas, devendo ser articuladas, de comprimentos semelhantes entre as suas partes superior e inferior. Via de regra, quanto mais grosso for o bocado, mas branda será a ação da embocadura e vice-versa. Como o freio exerce o efeito alavanca através de suas hastes, se estas forem fixas no bocado, sem articulação, a ação será mais severa, em relação a um freio de hastes articuladas. O efeito alavanca passa a existir quando as rédeas são presas em um ponto abaixo do bocal. Quanto mais longas e verticais forem as hastes, mais forte será o efeito alavanca. Mas sem a barbela, nenhum freio funciona. A barbela deve ser ajustada de modo a permitir a passagem de pelo menos um dedo entre a corrente e o mento. Com esta folga, quando as rédeas são acionadas, o bocal apoia-se no palato e, simultaneamente, a barbela pressiona o mento, servindo como ponto de apoio para o efeito alavanca das hastes. Quando a barbela é muito apertada, o bocal não será bem travado no palato e o mento sofrerá excesso de pressão, com possibilidade de ferimentos, sendo uma situação de grande desconforto para o cavalo.

     No segundo caso, do freio de ação moderadamente severa, o bocado tem espessura variável entre 1,0 e 1,5 cm, com bocal de altura mediana (acima de 2 cm e abaixo de 3,5 cm) e em forma de U invertido, preferencialmente com sua parte mais alta achatada, a fim de suavizar o contato com o palato. As hastes são articuladas, sendo a inferior de comprimento equivalente a uma vez e meia a duas vezes o comprimento da haste superior, com uma inclinação em torno dos 45 graus

No terceiro caso, do freio de ação severa, o bocado é fino, de espessura inferior a 1,0 cm, com bocal alto (acima de 3,5 cm) e as hastes longas e verticais, articuladas ou fixas. Sendo as hastes fixas, as rédeas forçam um deslocamento mais brusco e violento da cabeça.

Freio de ação severa moderada. O bocal é alto, porém as hastes são curtas e bem inclinadas, reduzindo a força do efeito alavanca. Indicado para animais de ambas as categorias, SL e SE

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Freio de ação severa, pois o bocal é alto e as hastes são mais longas e retas. Indicado para animais da categoria SE 

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F
reio de ação severa, pois o bocal é alto e as hastes são ainda mais longas e retas. Indicado para animais da categoria SE ou para muares

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Freio de ação severa moderada pois as hastes são longas e retas, mas o bocal é relativamente baixo e de curvatura suave. Indicado para animais de ambas as categorias, SL e SE

 


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