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I - O PILAR GENÉTICO DO CAVALO PAMPA DA ABCCPAMPA

Lúcio Sérgio de Andrade - Zootecnista - CRMV 11 - 136/Z
Árbitro oficial de equideos marchadores

O marco zero da seleção de cavalos pampas no Brasil pode ser considerado o ano de 1993, a partir da fundação da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo pampa pelo saudoso hipólogo Márcio de Andrade, com a contribuição zootécnica do sobrinho que ora escreve estas linhas. Muitos incrédulos ainda não aceitaram os exemplares Pampas inscritos no Registro Genealógico da nossa ABCPAMPA como representantes de uma nova raça brasileira. Argumentam que "pelagem não é raça". Poderiamos contra-argumentar que se pelagem não é característica racial como se explica a raça Appaloosa, nome que designa um tipo de pelagem mantada ou leoparda? E a raça Paint Horse, outra potência da rica equinocultura americana? Vale ainda lembrar que existem outros agrupamentos étnicos em fase de fixação de caracteres raciais específicos, de morfologia, andamentos e especialidades funcionais, porém aceitando um único tipo de pelagem. São os casos da raça "Pinto" (exclusivamente de pelagem pampa), American Spotted Saddle (também exclusivos de pelagem pampa), Palomino e Albino.

Outras correntes são as dos moderados, que esperam para ver como vai de desenvolver a a ABCPAMPA e dos idealistas, que defendem ardorosamente a Pampa como uma raça. À luz da ciência zootécnica, a pelagem pampa não é uma característica racial, pois é de incidência comum em um grande numero de raças. Tecnicamente, uma raça é definida como um agrupamento populacional significativo de animais portadores de características semelhantes entre si, porém distintas de outros agrupamentos étnicos, seja com base em aspectos morfológicos e/ou funcionais. Dessa forma, no caso do cavalo pampa brasileiro registrado na ABCCPAMPA, não pode ser considerado como representante de uma “raça pampa”, são sim representantes de uma pelagem. Além da identidade de pelagem, esta população precisará definir uma identidade de caracteres morfológicos e funcionais, o que leva, em média, 50 anos para serem fixados. Na fase inicial da formação de uma raça os criadores organizam seus trabalhos seletivos, com base no inter-cruzamento das raças originais. A grande dificuldade é que o pilar genético da ABCCPAMPA apresenta uma larga heterogeneidade, e da maneira como está sendo conduzido o Registgro Genealógico e os julgamentos será praticamente impossivel a padronização futura de caracteres de conformação e andamento. Vejamos a estrutura deste pilar genético, que pode ser dividida em oficial e extra-oficial, tendo em vista que animais descendentes de algumas raças exóticas não permitidas no regulamento do Registgro Genealógico estão sendo registrados:

Pilar genético oficial:
Raças nacionais – Mangalarga, Mangalarga Marchador, Campolina, Campeiro, Crioulo
Raças estrangeiras – Puro Sangue Ingles, Anglo – Arabe

Extra-oficial: Raças Arabe e Raça Quarto de Milha ( através de mestiços de Paint Horse )


A contribuição das raças estrangeiras, chamadas de exóticas, não deveria ser aceita, porque descaracterizará o cavalo pampa brasileiro de sela. São raças de formação mais antiga, de forte prepotência genética e portadoras de um fenótipo bem distinto daquele de nossas raças nacionais. Vejamos alguns exemplos dos mais tradicionais. O Quarto de Milha, com sua musculatura avantajada, apresenta um biótipo que não se enquadra no padrão internacional do cavalo tipo sela.


O Puro Sangue Inglês, com seu biótipo do tipo longelineo, tronco esguio, pernalta, é também antagônico ao tipo sela. O cavalo Árabe, com sua cabeça pequena, perfil concavilineo, totalmente oposto ao perfil de origem Ibérica de nossas raças nacionais, tem garupa plana e pernas atrasadas, o que favorece os andamentos mais alçados, que não trazem tanto conforto para o cavaleiro. E ainda podem ser lembrados os próprios exemplos das raças Paint Horse, que nada mais é do que um Quarto de Milha malhado, e da raça Appaloosa, que nada mais do que um Quarto de Milha pintado.


Apesar do regulamento de Registro Genealógico da ABCPAMPA aceitar a contribuição de sangue P.S.I. e Anglo-Árabe, como forma de desenvolver aptidões de corrida, velocidade, enduro, dentre outras, rarissimos foram os exemplares oriundos destas raças que foram aproveitados pela ABCPAMPA. Relevante deveria ser o ideal de forjar uma raça nacional, que fosse mundialmente enaltecida pela beleza de sua pelagem e pela funcionalidade eclética, pois a fase dos "cavalos de vitrine", só para admirar, travou o desenvolvimento de muitas raças no Brasil.


O processo global da seleção é orientado pelo Padrão Racial oficial da ABCPAMPA, na busca da semelhança do agrupamento étnico em fase de formação. Este agrupamento é representado pelos produtos oriundos dos inter-cruzamentos. Além das fases da formação e fixação, uma raça também passa pela fase da evolução, do melhoramento genético, somente alcançado através da pressão de seleção, a ser aplicada pelos selecionadores que desenvolvem os trabalhos de consolidação das linhagens, ou famílias, a serem futuramente consideradas como pilares da formação de uma raça.

Portanto, ainda há um longo, e tortuoso, caminho pela frente, antes de rotular-mos o CAVALO PAMPA BRASILEIRO de raça..

 

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